Eu estou dodói :(
Se eu não aparecer um tempo, entendam. Assim que ficar boa eu volto.
A idéia eu vi na Gwyn e achei o máximo. Todo mundo que entrar aqui tem direito a me fazer três perguntas nos comments, que eu respondo lá mesmo. Daí, vou no blog da pessoa e faço também três perguntas. Fiquem á vontade.
Dores frequentes nos ombros e coluna, nos pés, enxaqueca constante, hipotireoidismo, depressão, síndrome do déficit de atenção, baixa resistência... E o pulso ainda pulsa... e o corpo ainda é pouco...
O tempo carcomido, suas beradas se desfazendo, era um lugar assim meio escondido do resto, frio, frio, e tinha areia dentro. Ah, aquela nudez vazia, sublime, o tremor rosa-chá tão fora de moda se dissolvendo, e nem era dor aquele corte, que graça tinha aquele corte vermelho rasgado pelos dentes em espanto! ... Ela ensinava serpentes pela força de ver, e em seu canto toda sílaba reunida era sinfonia, e enchia tudo o veneno nos dentes das serpentes... Mundo meu, mundo vasto, que mundo solto! ela pensava em ausência e chovia toda noite ali, aquela fúria natural que as nuvens sempre iam já era íntima, já era lar, era morada, necrópole, alma morta, força viva dentro de seu não. O engano era o limite ou o limite era o engano? Ela sorria, bailarina acrobatado do não rompido em toda parte, e a ausência era coisa de sangue ou de sempre? Era coisa de Deus, aquela velha ausência pressentida que fazia chover toda noite ali, frio, frio.
Na segunda-feira, no Palácio das Artes com meu namorado, assistindo ao belo documentário "Hilda Humana Hilst". Eis que a repórter pergunta à obscena senhora H o que ela não fez na vida, e Hilst me sai com essa:"Ainda não fodi com uma mula. Dizem que é muito difícil essa coisa de fuder com uma mula, mas eu nunca tentei. Não tenho nenhuma aqui (no sítio).Sensacional.
Terça-feira, no Belas Artes Liberdade, eu e o referido namorado fomos assistir ao filme "Sob o Sol da Toscana", e no final da sessão, ele me sai com a pérola "Esteriótipos latinos que causam furor uterino até nas senhoras já há muito na menopausa", se referindo aos belos atores italianos. Eu ri até passar mal.
Quarta-feira, eu conversando com uma colega de trabalho, tentamos descobrir algo que fosse mais engraçado que Joe Silveira e Peter North no mesmo filme. Não obtivemos resposta.
Quinta-feira, planos para assistir ao curta A Lazanha Assassina. Olha só a sinopse: "A Lasanha Assassina
Uma sátira aos filmes de terror, com apresentação do próprio mestre do horror brasileiro: Zé do Caixão. Uma lasanha é deixada no refrigerador e sofre uma mutação, tornando-se um monstro asqueroso". Fala que não é imperdível?!
Sexta-feira, cervejinha no Maleta, e depois eu não posso contar.
Sábado, cervejinha na praça onde as árvores parecem mães. Eu quase dormi na mesa, de sono.
Que será que o domingo me reserva?
U P D A T E
O domingo me reservou cerveja com minha mãe de manhã e cocacola com namorado e casal de amigos. O casal muito legal. O mais novo, um poeta e desenhista de muito talento, o mais velho artista plástico que mudou radicalmente de vida depois do fim de um casamento de mais de vinte anos. Os papos, os mais variados. No som, bossa nova, Caetano, Elis, Dusek. Pra fechar com chave de ouro o fim de semana, uma cena muito engraçada: o garoto mais novo do casal disse que ia ao banheiro, no que o outro o agarrou com o pé. O moço quase caiu :D e a noite ainda rendeu. Passamos o caderno e cada um escreveu um cadim. Abaixo, textinhos, um meu, um do Leo, um do Matheus e um do Murilo :)
2004... um som considerado velho resgatando o passado, os eus nostálgicos, mas uma diferença... qual, talvez pessoal, mas flutuando sobre não sei o que, por isso me calo...
Ao fundo, Caetano sonhando a tigreza em cabarés dos anos cinquenta, trazendo de volta velhos pensamentos e o cheiro rubro da época, nos levando em viagens sem volta, por caminhos amarelo-brilhantes, estrada de Dorothy, sem mágico no final...
Música ambiente rescendendo à antiguidade de velha madeira, imemorial, como as canções materializadas em langores de névoa suave, ponteados pelas cordas de um violão, violáceo...
Encontro
Encontro de almas
Música... Caetano
Vivo
quando me vir, recolhe uma lágrima e leva junto das palavras meu sóbrio e feio coração, e toca, quando puder, teus muitos beijos e teus lábios, abraça minhas tantas solidões, eu te reconheço, me reconhece tu também, dorme comigo coberto de estrelas, explica para mim como foi o mundo, como era o tudo antes de ti que eu já não sei, fechei os olhos antigos do tempo, o tempo fechou minha boca, meus pulmões só procuram teus medos angustiados, o ferro do teu pulso, o fragrante do teu menino modo que me toma, escreve amar em meu semblante cansado, mora nas cicatrizes de minha história, de tão minha agora tua, de tão nossa de mais nada, e viver agora é fácil como nos tempos de escola, a alma não pesa no sangue, eu morro agora outras mortes, mais calmas, frescas e sem desvios, eu vivo todas as vidas socadas em espaço pequeno, mas ainda me cabe lá, e aqui só cabe a ti, entorna o canto amargo dos meus olhos em teus olhos, me ensina a beber do teu riso de lua, me veste de céu e de sal e de rua, me promete o pudor de tua nudez incandescente, esquenta meu ego com teus dentes, do meu ventre faz tua morada e vem comigo encenar o ato do gosto de viver

Formato Mínimo
Composição: Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão
Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima
Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo
Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos gozaram rápido
Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida
O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela o súdito
Desenhou-se a história trágica
Ele enfim dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo a vítima
Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico
Para ele uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão a rúbrica